PM padroniza conduta durante blitz para intensificar a fiscalização e evitar crimes com motos
Motociclistas participam de manifestação para mostrar que estão de acordo com novas regras
Publicação: 05/02/2012 06:53 Atualização: 05/02/2012 06:56
Atenção, motociclista. Quando avistar uma blitz, reduza a velocidade e aguarde o comando do militar. Se for orientado a parar, desligue o motor, coloque o capacete debaixo do braço esquerdo e levante a mão direita. A partir de agora, esse será o sinal verde para quem não tem a intenção de reagir a uma abordagem policial. Ao padronizar a conduta, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) tenta intensificar a fiscalização para reduzir o número de assaltos praticados com moto, que em 2011 chegou a 5 mil em Belo Horizonte, sem constranger os condutores que não têm nada a ver com a violência. Ontem, centenas de representantes de quase 192 mil motociclistas que circulam diariamente na capital participaram de uma passeata, chamada de motociata, que saiu da Praça do Papa e seguiu até a Praça da Estação, para mostrar que estão de acordo com as novas regras.
“Até que se prove o contrário, sou bandido para a sociedade”, lamenta Antônio Francisco, que há 15 anos ganha a vida sobre duas rodas. O motoboy confessa que se sente discriminado, ainda mais quando para em um semáforo e vê o motorista ao lado fechar a janela do carro. A culpa, ele acredita, é dos criminosos que usam o veículo para agir com mais rapidez. Por isso, Antônio espera que a nova conduta não o faça mais passar por constrangimentos em blitz. Em uma das vezes, o motoboy foi mantido sob a mira da arma do policial, mesmo quando já estava com as duas mãos para cima.
Moto para o servidor público Geraldo Andrade é diversão. Como prefere andar de carro no dia a dia, ele foi parado apenas uma vez em blitz, mas sempre ouve relatos de motociclistas que são vítimas de abordagem truculenta e até humilhante. Para Geraldo, a solução é acabar com o preconceito e ele já está preparado para agir como recomenda a PM se for abordado por algum militar. “É importante demonstrar que conheço as regras e estou disposto a cumpri-las”, diz.
O chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Rogério Andrade, destaca que a blitz também serve para proteger o motociclista. “Precisamos separar o joio do trigo”, pontua. O militar reconhece, no entanto, que os condutores que cometem crimes em moto costumam escapar da fiscalização. O que resta, então, é intensificar a abordagem rápida em semáforo.
À frente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas e Ciclistas de Minas Gerais, Rogério dos Santos Lara lembra que a classe também é vítima de bandidos em duas rodas. “Somos assaltados com arma na cabeça em estacionamentos, no semáforo ou a caminho para casa. No ano passado, mais de mil motos foram roubadas em BH.” A entidade é a favor da nova regra, até porque orienta todos os profissionais a não fugir de uma blitz, nem que esteja sem carteira ou com a documentação atrasada. “Não vale a pena. Na fuga, você pode cair e até provocar um acidente com morte”, observa.
Fonte: Portal Uai 05/02/2012
Autor: Celina Aquino


