LÍDERES COMUNITÁRIOS, DEPUTADOS E ENTIDADES DE CLASSE SÃO CONTRA O FECHAMENTO DAS 11 COMPANHIAS DA POLÍCIA MILITAR

1167482O fechamento de 11 Companhias da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi discutido na noite dessa quarta-feira, 12/7/2017, em audiência pública, realizada a pedido do deputado Sargento Rodrigues, na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Na ocasião, depois de muita pressão dos líderes comunitários, de diferentes regiões de Belo Horizonte que estavam presentes na reunião e que são contra a proposta, o Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Winston Coelho Costa, afirmou que as Companhias não serão desativadas e que as bases móveis serão implantadas para agregar o policiamento. Segundo ele, a PMMG primeiro fará este teste e avaliará como será a implementação.

No início da reunião, o deputado Sargento Rodrigues agradeceu a presença de todos e afirmou que tem acompanhado diversas matérias em relação a proposta de desativação das 11 Companhias PM, como também visitou a 9ª e a 21ª CIA PM, onde todos os policiais militares são contra a medida, mas não emitem opinião com medo de punições.

Ainda segundo Rodrigues, ao longo de três décadas a polícia militar trabalhou para se aproximar da população, cada vez mais trabalhando na lógica do policiamento comunitário, mas com essa proposta, acaba tudo que foi construído nesses trinta anos. “Isso é um absurdo. Os cidadãos não podem aceitar esta medida. Os policiais militares ficarão mais expostos aos ataques de criminosos. Além disso, o trabalho construído nestas décadas será jogado por terra. Não tenho dúvidas que o objetivo dessa proposta é o corte de gastos por parte do Governo do Estado”, disse.

De acordo com o Comandante do Policiamento da Capital, a PMMG fez este projeto de implantação das bases comunitárias em 2016 e apresentou ao Governo do Estado. Segundo ele, serão instaladas 86 bases moveis, mas que serão pontos fixos, e 172 motocicletas, que também terão policiais militares realizando patrulhamento pelos bairros e no entorno da base comunitária.

Com a proposta, dois policiais ficarão nas bases estáticas, que não serão móveis, e outros dois militares fazendo patrulhamento, o que os deixa à merce de bandidos. Segundo a proposta, serão desativadas a 3ª, 5ª, 10ª, 20ª, 22ª, 16ª, 124ª, 127ª, 9ª, 21ª e 11ª CIA PM, e o efetivo será composto por policiais que já atuam na prevenção, como também terá redução do efetivo administrativo e policiais reconvocados.

MORADORES RECLAMAM DA PROPOSTA

Para o Presidente do Coletivo Comunicar – Região Nordeste, André Ascanio, a 22ª CIA PM protege as crianças da região do tráfico de drogas, como também o centro de abastecimento do bairro São Paulo. “A Companhia está protegendo trabalhadores. Peço, por favor, que não seja desativada. Lutamos demais pela implantação da 22ª CIA”, afirmou.

O morador do bairro Fernão Dias, André Maggi, afirmou que a comunidade não pode ser vítima de um estudo que vai trazer mais insegurança para a população. Já o morador do bairro Coração Eucarístico, Paulo Medeiros, concordou com o deputado Sargento Rodrigues, e afirmou que essa proposta é um interesse do Governo do Estado para cortar gastos.
“Não podemos aceitar a desativação da 22ª CIA, pois será uma atrocidade. A união é do povo, não podemos aceitar. Estamos retrocedendo, andando para trás”, ressaltou a moradora do bairro São Marcos, Shirley Fonseca.

Segundo a moradora do bairro Padre Eustáquio, Vanessa Freitas, a população tomou conhecimento do fechamento das Companhias através da imprensa, sem ter nenhum comunicado por parte do Governo. “Ninguém foi consultado, nenhum CONSEP. Essa medida não vai aumentar o policiamento, só vamos perder”, destacou. Ela afirmou, ainda, que durante audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o Coronel Giovanne Gomes da Silva, Comandante da Diretoria de Apoio Operacional (DAOP/PM), já havia feito o compromisso de não desativar as companhias e implementar as bases móveis (que são fixas).

Em relação à fala da moradora Vanessa Freitas, o deputado Sargento Rodrigues destacou trecho do editorial publicado no jornal Estado de Minas, no dia 7/5/2017, pelo Governador do Estado, Fernando Pimentel, do PT.

“Sempre acreditei na sensibilidade e na sabedoria do povo de Minas Gerais. Essa é a inspiração que trouxemos para o governo e que está no cerne dos fóruns regionais, que lançamos há quase dois anos. Dividimos o estado em 17 territórios do desenvolvimento - na verdade, espaços de participação-, para que pudéssemos dialogar mais diretamente com o cidadão de toda a nossa imensa Minas Gerais.

Fizemos isso para consultar a sabedoria da sociedade. Mudamos a chave. Invertemos a lógica de um governo de gabinetes e de especialistas para uma governança compartilhada. Colocamos o pé na estrada e saímos Minas Gerais afora para estar perto do cidadão, para conhecer e discutir melhor as necessidades da sociedade.

Passamos a valorizar o diálogo como forma de identificar as demandas e construir as soluções para o problema de um estado tão diverso como Minas Gerais. Ouvir a população foi um mecanismo que encontramos para reduzir a distância que existia entre o governo e a sociedade”, escreveu Fernando Pimentel.

O Coordenador do Movimento das Associações de Moradores de Belo Horizonte, Fernando Santana, afirmou que também ficou combinado durante a reunião na Câmara Municipal que será constituída uma comissão de moradores para acompanhar a implementação das bases fixas, que também avaliarão a eficácia do sistema. “Essa Casa precisa fiscalizar isso”, destacou.

PROVIDÊNCIAS PELA COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA DA ALMG

O deputado Sargento Rodrigues afirmou que a Comissão sempre estará à disposição para ouvir e ajudar todos. O parlamentar apresentou requerimento para que seja enviado ofício ao Governador do Estado, ao Comandante-Geral da PMMG e ao Secretário de Segurança Pública, manifestando que são totalmente contrários a desativação das companhias, uma vez que estavam presentes vários deputados, líderes comunitários e presidentes de entidades de classe. Rodrigues também solicitou que sejam encaminhadas as notas taquigráficas da reunião ao Comandante-Geral da PMMG, ao Chefe da Polícia Civil e ao Governador do Estado.

“Esta demanda é para reduzir custos”, concluiu o deputado Sargento Rodrigues.

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