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31/10/2008 - 10:00 - Atualizado em 31/10/2008 - 10:00

O Tempo - Assembléia quer CPI para investigar desmanche ilegal


Crime organizado. Intenção é criar força-tarefa com polícias e Ministério Público

 

Assembléia quer CPI para investigar desmanche ilegal

Assassinato de dono de loja na avenida Pedro II, em BH, deve ser esmiuçado

 

FLÁVIA MARTINS Y MIGUEL

 

O desmanche ilegal de carros vai ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (Alemg). O autor do requerimento, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT), conseguiu recolher 45 assinaturas favoráveis à CPI, que deve começar a ser formada na próxima semana. Uma força tarefa integrada pela Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público será a primeira estratégia escolhida para o início dos trabalhos. "Para somar os esforços, também vamos chamar um representante da Receita Estadual e, a partir disso, estabeleceremos um cronograma de ações. Um dos focos será investigar a morte de um dono de uma loja de peças na avenida Pedro II. Tenho certeza que foi queima de arquivo", afirmou o deputado, ao se referir ao assassinato de Emerson Cardoso, 40, em setembro, dentro de sua loja por dois homens.

 

Os crimes que fomentam a indústria do desmanche, segundo Rodrigues, são um caso de segurança pública. Além do furto e roubo de automóveis, estariam por trás crimes como tráfico de drogas, assassinatos e estelionato. "Temos ferro-velhos, galpões, oficinas mecânicas que sobrevivem da atividade criminosa. O objeto da CPI é buscar investigar a prática do desmanche aliada à formação de quadrilhas." Ontem, uma equipe de O TEMPO foi à avenida Pedro II, onde há uma concentração de ferros-velhos. O trabalho da reportagem foi observado o tempo todo, de ambos os lados da avenida. Tanto o repórter quanto o fotógrafo relataram que parecia que eram vigiados.

 

Projeto

A idéia - Vetado pelo governador no início do mês, o projeto de lei n° 429 prevê que os estabelecimentos de desmonte de veículos ou peças usadas tenham a atividade registrada e emitam nota fiscal.


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Setor
Comerciante reconhece fraudes


No ramo de venda de peças automotivos há 11 anos, o dono de uma das lojas da avenida Pedro II reconhece a existência das irregularidades. “Minha loja já foi alvo de uma série de batidas da polícia, mas elas são necessárias, pois tem quem comercializa assessórios de veículos roubados”, disse. Segundo o comerciante, as peças usadas que ele vende em sua loja são de veículos já baixados no Detran, adquiridos em leilões. A Secretaria Estadual de Defesa Social informou ontem que, de janeiro à setembro, foram realizadas 547 fiscalizações. (Andréa Silva)

 

 

Publicado no jornal O Tempo em: 31/10/2008



Veículo: O Tempo
 
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