- Deputado na Imprensa
- Clipping
Jornal Hoje em Dia - artigo "Festa Rave faz mal"
Festa Rave faz mal
Geraldo Toledo(*)
Não há uma definição exata do que seja uma festa rave. Ela se diferencia para cada pessoa, tendo cada um seu ponto de vista, mas, generalizando um pouco, a rave é uma festa normalmente feita em áreas rurais (chácaras, sítios, fazendas), em contato com a natureza, muitas vezes dividida por tendas, cada uma com um estilo musical diferente, semelhante às casas noturnas denominadas de boates ou danceterias, dando-se preferência às músicas sem melodia, apenas com insistentes e graves “batidas”.
Há diversos tipos de festas raves. Como por exemplo, contradizendo a descrição acima, pode existir, sim, uma rave feita numa fábrica abandonada numa metrópole com apenas uma área tocando todos os tipo de música em diferentes horários. As raves existem de diferentes formas, mas o que marca a semelhança de todas é que elas são bem longas, e geralmente começam ou passam pela madrugada, como por exemplo, das 23 horas de um dia ao meio dia do dia seguinte, podendo se estender por todo o fim de semana. O seu público mais fiel são os chamados clubbers, os cybers (clubbers de periferia ou “manoclubbers’) e os ravers. Esse pessoal se mantém na frente de uma caixa de som de 15.000 W de potência por horas e horas, e curte cada minuto.
Percebem o som de cada vinil que o DJ está tocando, mesmo que as batidas sejam muito parecidas, conhecidas por “bate-estacas” (música eletrônica, basicamente variando entre os estilos House, Techno, Trance, Psy e Drumn Bass)‘. Os jovens dançam, pulam, gritam, jogam seus malabares e glowsticks, cantam (se a música tiver vocal) e entendem tudo sobre as músicas. Quando cansam (isso, se cansarem!), saem para pegar um ar, descansam por 15, 20, 30 minutos e voltam para ficam mais horas e horas na vibe.
Investigações e infiltrações da Polícia Judiciária trazem relatos de alto consumo de drogas estimulantes (LSD e ecstasy), bem como outras conseqüências penais relacionadas a acidentes de trânsito, abusos sexuais e ataques cardíacos derivados do alto consumo de drogas. A maioria destas festas raves não sofre qualquer controle estatal, tendo em vista que elas “se escondem” em sítios, fazendas ou locais fechados.
Mesmo assim, enganam-se os seus organizadores, cabe à Polícia Civil Judiciária este controle e a devida autorização, conforme Decreto Estadual n.º 13330 de 1971 e sua irregularidade é motivo para seu prévio candelamento. Estas festas, por durarem dias e atravessarem madrugadas, além de fazerem grande mal para a saúde, devido ao desgaste físico e auricular, sugestionam a pessoa a procurar instrumentos estimulantes (remédios, bebidas e drogas) para poderem “agüentar” esta maratona musical. Em diversas comunidades do Orkut se relacionam estes eventos à uma “nova Woodstock” e ao alto consumo de ecstasy, conhecido como “bala”.
O Projeto de Lei do deputado Sargento Rodrigues contra as festas raves veio em boa hora. E sugerimos aos pais que policiem mais os seus filhos para que amanhã não os encontrem acidentados, estuprados ou mortos por overdose.
*Delegado de Polícia e Professor da PUC/MG; Autor do livro “Manual de Processo Penal 1” - Ed. Ciência Jurídica
Veículo: Jornal Hoje em Dia


